Pela primeira vez na história, uma passagem subterrânea do Coliseu de Roma — conhecida como Passagem de Cômodo, em referência ao imperador romano que governou entre 161 e 192 d.C. — foi aberta à visitação pública. O espaço, restaurado recentemente, oferece uma nova perspectiva sobre a vida nos bastidores do maior anfiteatro do Império Romano.
Um caminho reservado à realeza
A passagem foi construída entre o fim do século I e o início do século II d.C., como um acréscimo ao projeto original do Coliseu, inaugurado em 80 d.C. O corredor permitia que o imperador e seus convidados acessassem a arena diretamente, sem se misturar à multidão que lotava as arquibancadas para assistir às lutas de gladiadores e outros espetáculos públicos.
O nome do local faz alusão ao imperador Cômodo, figura temida e polêmica retratada no filme Gladiador (2000). De acordo com registros históricos, ele teria sobrevivido a uma tentativa de assassinato em uma passagem subterrânea semelhante, o que reforçou a associação entre o governante e o túnel agora reaberto.
Restauração e descobertas
Sob supervisão da arqueóloga Barbara Nazzaro, o espaço passou por um trabalho de restauração que revelou parte das antigas decorações. Originalmente, as paredes eram revestidas de mármore; mais tarde, receberam gesso e pinturas com paisagens, cenas mitológicas e representações de espetáculos de arena, como lutas entre animais e apresentações de acrobatas.
Com o tempo, a umidade do subsolo comprometeu grande parte das estruturas originais, mas ainda é possível observar fragmentos de estuques e ornamentos. Para enriquecer a experiência dos visitantes, foi criada uma reconstrução digital que mostra como o local era há quase dois mil anos.
Um novo capítulo da história romana
A abertura da Passagem de Cômodo marca mais um passo importante nos esforços de preservação e valorização do patrimônio arqueológico de Roma.
“Agora, o público poderá entender o que significava ser um imperador naquele tempo”, destacou Nazzaro.
A visita é limitada a pequenos grupos e integra o circuito de acesso ao Parque Arqueológico do Coliseu, que continua ampliando suas áreas acessíveis e reforçando a conexão entre a história, a pesquisa e o turismo cultural.
Aline Moraes – Jornalista





